O Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas) fechou o balanço das exportações de janeiro. Segundo o presidente da entidade, Adilson Borges Vieira, os números revelam que a tendência de novos mercados é inevitável no setor de rochas ornamentais, mas os efeitos da crise ainda provocam “estragos” nas empresas, sobretudo nas exportadoras.
“Nota-se um esforço muito grande dos exportadores na busca de novos mercados, através de participações em feiras em vários países, de viagens freqüentes a novos destinos. Mas as dificuldades são crescentes, pois a crise é mundial e continua se aprofundando”, salienta Vieira.
Números
O balanço das exportações mostra que o faturamento, em dólar, das exportações brasileiras de rochas ornamentais caiu 48,65% no mês de janeiro de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. No primeiro mês deste ano, o setor vendeu 86 mil toneladas de rochas ao mercado externo, com um faturamento de US$ 34 milhões.
“Foi uma queda histórica, a maior que o setor já sofreu. No entanto, para fevereiro, já se espera uma recuperação dos níveis de embarque”, analisa o empresário.
No Espírito Santo, líder no ranking nacional de exportações, a redução das exportações de janeiro deste ano em relação a 2008 alcançou a percentagem de 53,65%. O Estado exportou 49 mil toneladas de rochas, o que rendeu o faturamento de US$ 20 milhões.
Apesar dessa queda, o Espírito Santo foi responsável por cerca de 60% das exportações nacionais, seguido de Minas Gerais (26%) e Santa Catarina (2,3%).
Apoio
Para o Centrorochas, a maior oferta de financiamentos de longo prazo ao exportador torna-se urgente e imperativa para que as empresas brasileiras continuem a competir no mercado internacional em igualdade de condições com suas concorrentes de outros paises.
“O apoio governamental continua sendo de fundamental importância para que a atividade não entre em colapso”, destaca Vieira, lembrando que as empresas do setor devem continuar realizando ajustes internos, pois será longa a caminhada até que as economias voltem a crescer.
Empresários do setor defendem, ainda, a desoneração do IPI (Imposto sobre Produto Interno Bruto) sobre produtos industrializados (como chapa polida e ladrilhos), uma medida que tornaria esses materiais menos onerosos ao consumidor.
Outra proposta é a simplificação do processo e automática liberação, ainda que parcelada, dos créditos de ICMS (Lei Kandir) das empresas exportadoras, o que representaria um significativo alívio de caixa para as empresas, bem como a redução de seus custos.
Novos destinos
Desde meados de 2007, quando os primeiros efeitos da crise atingiram o setor de rochas, as empresas passaram a voltar suas atenções para outros países, o que tem aumentado o volume de negócios com mercados ainda pouco explorados, como Oriente Médio e países da Europa e da América do Sul.
Os Estados Unidos, epicentro da crise, ainda detêm a primeira posição entre os maiores compradores de rochas brasileiras. Porém, sua participação diminuiu consideravelmente.
As vendas do produto para o país de Obama somaram US$ 12,9 milhões em janeiro, uma redução de 59,75% em relação a janeiro de 2008. Houve queda também nos negócios com mercados também tradicionais, como China (43,09%) e Itália (21,28%).
Novos mercados, ainda com participações pequenas, mas com alto potencial para negócios, começam a se destacar como bons parceiros. É o caso do Reino Unido, que registrou alta de 183,88% nas importações de rochas brasileiras, e da Alemanha: alta de 104,64%.
“Países latino-americanos, como México, do Leste Europeu e do Oriente Médio, que apresentam baixo consumo per capta de granito, certamente serão incluídos como mercados a serem mais intensamente explorados. A França é outro país que merece atenção, sobretudo em função da demanda por produtos de arte funerária”, ressaltou o presidente do Centrorochas, Adilson Borges Vieira.
Resumo Comparativo das Exportações Brasileiras
Janeiro 2008
Janeiro 2009
Variação
US$ (milhões)Peso (ton)
US$(milhões) Peso (ton)
US$(milhões) Peso (ton)
Blocos
14.590 87.720
7.954 45.181
-45,48% -48,40%
Manufaturados
39.76548.662
17.99422.855
-54,75% -53,03%
Ardósias
6.323 14.963
3.759 8.748
-40,54% -41,54%
Outras rochas 4.84214.341
3.935 9.412
-18,73% -34,37%
Total 65.521 165.686
33.644 86.196
-48,65%-47,98%
Nesse mesmo período, o total das exportações capixabas apresentou uma variação negativa em torno de 53,65% em relação a janeiro/2008. Todos os produtos apresentaram expressiva variação negativa.
Resumo Comparativo das Exportações Capixabas
Janeiro 2008
Janeiro 2009
Variação
US$ (milhões)Peso (ton)
US$(milhões) Peso (ton)
US$(milhões) Peso (ton)
Blocos
8.349 51.077
4.940 30.052
-40,82% -41,16%
Manufaturados
34.89842.659
15.21419.667
-56,40% -53,90%
Ardósias
27.85353
0 0
-100%-100%
Outras rochas 260.598 223
24.470 20
-90.61% -91,03%
Total 43.53694.012
20.180 49.739
-53,65%-47,09%
No quadro abaixo podemos observar a participação das exportações capixabas em relação ao volume exportado a nível nacional:
Janeiro 2008
Janeiro 2009
US$(milhões) Peso (ton)
US$(milhões) Peso (ton)
Blocos 57,23% 58,23%
62,11% 66,51%
Manufaturados
87,76% 87,66%
84,55% 86,05%
Ardósias 0,44% 0,35%
0% 0%
Outras rochas 5,38% 1,55%
0,62% 0,21%
Total 66,45% 56,74%
59,98% 57,70%
Exportações de rochas ornamentais registram queda de 48% em janeiro