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Outra crise moral: obsolescência do capitalismo?

Publicado em 11/09/2011

Ao analisar o momento que a economia global passa, assistimos às pessoas dizendo que os acontecimentos atuais são semelhantes à queda do Muro de Berlim em 1989, com a derrocada do comunismo e do sistema socialista. Naquela época, Francis Fukuyama, num trabalho muito comentado, proclamou que estaríamos presenciando o fim da história. Os acontecimentos de 1989 não foram o fim da história, mas o fim de uma era na qual predominava uma ideologia que não funcionou e que levou muitos países a uma crise moral.

A história continua e o debate sobre liberalismo e regulamentação de mercados volta a ser assunto de interesse de muitos e, dessa vez, a discussão coloca em evidência o capitalismo e outra crise moral que abate o sistema financeiro mundial.

Em 1993, Drucker antecipou que as mesmas forças que destruíram o marxismo como ideologia e o comunismo como sistema social também estavam tornando o capitalismo obsoleto. Mas como o grande pensador, considerado o pai do gerenciamento moderno e a primeira pessoa a estudar as corporações, poderia clamar que um dia o capitalismo econômico estaria obsoleto? Será que o momento que estamos atravessando já não seria um prenúncio de que estamos definitivamente caminhando para essa nova sociedade?

Ele dizia que a nova sociedade seria uma sociedade pós-capitalista, que usaria o livre mercado como mecanismo de integração econômica. Embora algumas pessoas estejam discutindo a volta do intervencionismo do Estado, ele afirmava que a nova sociedade não seria, contudo, uma sociedade anticapitalista, nem uma sociedade não-capitalista. Em princípio, parece não haver muita coerência nisso.

Como entender a obsolescência do capitalismo e aceitar que estamos caminhando para uma nova sociedade que não seja não-capitalista? Para uma melhor compreensão, é interessante reportar-se ao período que surgiu após a "sociedade agrícola", que foi chamado de "sociedade industrial". É interessante observar que a sociedade industrial, também, não foi uma sociedade antiagricultura ou não-agrícola.

O que ocorreu é que, apesar da menor participação da agricultura na riqueza dos países, esse setor continua tendo um papel relevante em algumas economias. O papel dos agricultores e da agricultura na sociedade mudou. Os agricultores que sobrevivem são aqueles que conseguem ser competitivos e sabem utilizar tecnologia e conhecimento no trabalho. Drucker previa que as instituições do capitalismo sobreviverão, embora algumas, como os bancos, possam vir a desempenhar papéis bem diferentes. Ele foi muito sábio ao prever, também, que a função de alguns bancos iria mudar na sociedade pós-capitalista. De fato, o panorama do mundo financeiro tem mudado drasticamente. Recentemente, o banco de investimento Lehman Brothers, que tinha mais de 100 anos de existência, desapareceu. Os bancos Bear Stearns e Merryl Lynch foram engolidos por bancos comerciais. O Goldman Sachs e Morgan Stanley se tornaram bancos comerciais. A doença monetária se espalhou pelo mundo e os mercados de papéis financeiros, tais como fundos especulativos (hedge funds) e derivativos, se continuarem a existir, talvez venham a funcionar de uma outra maneira.

Como progredir e avançar no cenário internacional? Que recursos serão importantes? Os estudantes de economia logo aprendem que os recursos básicos são a terra (recursos naturais), o trabalho e o capital. Por quanto tempo isso será válido? As respostas não são simples. Entretanto, pode-se inferir que o mundo está passando por fortes mudanças que terão conseqüências sociais profundas.

O tremor no sistema financeiro talvez seja indício de uma nova estruturação da sociedade, onde outros recursos se tornem mais relevantes e talvez o indício de que o capitalismo esteja realmente se tornando obsoleto. O surgimento de uma sociedade pós-capitalista deve significar um período de fortes mudanças estruturais como as que estão se iniciando. É possível, entretanto, perceber o aumento da importância do conhecimento como recurso essencial para a produtividade e inovação. Portanto, uma coisa está clara: qualquer progresso dependerá de investimentos em educação, pois ela é a base fundamental do profissional do conhecimento, que, indubitavelmente, será o elemento fundamental da tal nova sociedade que parece estar emergindo.


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