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Importações crescem quatro vezes mais que as exportações

Publicado em 11/08/2011

vA quantidade de mercadorias exportadas pelo Brasil cresceu 5,5% no ano passado em relação a 2006. No mesmo período, o volume importado subiu 22%, revelam dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), obtidos com exclusividade pelo Valor. "O problema é a falta de dinamismo das exportações. É preocupante, porque a deterioração do saldo comercial será rápida com esse diferencial", diz Fernando Ribeiro, autor do estudo e economista da Funcex.

Enquanto o volume embarcado seguiu o ritmo do Produto Interno ruto, as importações cresceram quatro vezes mais. As estimativas apontam alta de 5,5% do PIB no ano passado. Em 2006 comparado com 2005, o volume exportado teve um desempenho ainda pior (3,3%), mas as importações também cresceram menos (12%). Os economistas projetam saldo para a balança comercial entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões em 2008. "Se seguir nesse ritmo, poderemos ter déficit em 2010", alerta Ribeiro.

Os dados mais recentes são tão negativos que os economistas tratam como pontos fora da curva, mas recomendam cautela. Em dezembro de 2007, a quantidade exportada surpreendeu negativamente e caiu 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nas primeiras quatro semanas de janeiro, o saldo da balança comercial em valores recuou 64% em relação a janeiro de 2007.

Em quantidade, o Brasil perdeu espaço no comércio mundial, já que os volumes comercializados no mundo aumentaram 7% no ano passado, segundo o Fundo Monetário Internacional. Em valores, a participação do país aumentou, por conta do desempenho dos preços. As importações mundiais cresceram 14,4% até novembro, enquanto as vendas brasileiras em valores subiram 16,6% em 2007, graças à alta de 10,5% nos preços.

Três fatores macroeconômicos contribuíram para os resultados de 2007. A valorização do real reduziu a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e barateou o que vem de fora. O crescimento da demanda interna incentivou as importações e desestimulou as exportações. E a falta de capacidade instalada nas empresas impediu alguns setores de atender aos dois mercados.

A quantidade exportada de manufaturados aumentou 3,2% em 2007 em relação a 2006, um pouco acima dos 2,1% de 2006 comparado com 2005. Ribeiro diz que o aumento nas exportações de aviões justifica o desempenho um pouco melhor, mas ressalta que o volume de industrializados vendido pelo país está próximo do piso. Em compensação, os preços dos produtos manufaturados subiram 8,4%, depois de registrar alta de 12,3% em 2006 - percentuais significativos para esses produtos.

"Esses números mostram por que a exportação aguentou a valorização do câmbio. A variação dos preços compensou um pouco a rentabilidade que o câmbio tirou", diz Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Nos últimos dois anos, o real se valorizou 32% em relação ao dólar. "O quadro é grave. Com a desaceleração global e crise nos EUA, o espaço para reajuste de preços de manufaturados vai diminuir".

Júlio Callegari, economista do J.P. Morgan, concorda que "o câmbio tornou mais difícil a vida do exportador de manufaturados, que compete com a China". Ele ressalta, porém, que "as empresas não podem ser dar ao luxo de exportar quando mal dão conta de atender ao mercado interno". Segundo o economista, exemplos emblemáticos desse fenômeno são os setores automotivo e de celulares. Até novembro do ano passado, as vendas do varejo brasileiro cresceram 9,7%, conforme o IBGE, e o nível de utilizada da capacidade instalada da indústria chegou ao recorde de 82,9%, segundo a CNI.

As estatísticas da Funcex demonstram que a dependência da balança comercial brasileira em relação às commodities cresceu. A quantidade exportada de produtos básicos subiu quase 12% em 2007, o dobro do ano anterior. Ao mesmo tempo, os preços avançaram 14,5% no ano passado, contra 9,4% em 2006. Com rentabilidade garantida pelas cotações, os agricultores plantaram mais e as mineradoras investiram. Além disso, boa parte da produção de commodities é obrigatoriamente direcionada à exportação, porque não é absorvida pelo mercado interno.

Essas mudanças na pauta de exportação brasileira deixam o país mais suscetível à variação do preço das commodities, ainda mais em temporada de crise nos Estados Unidos e temor de contaminação global. O que os economistas não sabem ainda é se isso é bom ou ruim. Callegari diz que o consumo de commodities nos Estados Unidos é o maior do mundo, mas está estagnado. O aumento da demanda chinesa, portanto, é a principal fonte de alta do preço das commodities recentemente. Na China, a demanda por básicos pode ser duradoura, já que a construção da infra-estrutura do país demandará mais commodities metálicas, e a ida da população para as cidades, que aumenta a demanda por proteínas, está começando.

Nas importações, o aumento da quantidade foi superior à elevação de preços. O volume de bens de capital adquiridos no exterior avançou 32% em 2007 e os preços subiram apenas 2,9%. Os economistas comemoraram esse dado, porque reforça a pujança do investimento no país. O percentual é superior, inclusive, à alta de 24% de 2006. A quantidade importada de bens de intermediários cresceu 19,6%, em linha com a produção industrial.

Nas compras de bens de consumo no exterior, a influência do câmbio barato é mais perceptível. O volume importado de bens de consumo duráveis cresceu 50,6% em 2007. Ribeiro lembra, no entanto, que a participação desses produtos na pauta de importação ainda é de apenas 4,4%. "Na importação, não tem nada fora do comum", diz.
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