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2º BALANÇO DAS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE ROCHAS NO PERÍODO JANEIRO-OUTUBRO DE 2016

Publicado em 08/12/2016

As exportações brasileiras de rochas ornamentais registraram expressiva queda no mês de outubro, acentuando o índice negativo de variação acumulado em 2016 (Tabela 1). As vendas efetuadas em outubro somaram apenas US$ 58,6 milhões, contra US$ 99,5 milhões no mês anterior (setembro/2016) e US$ 104,1 milhões em outubro de 2015. Da mesma forma, o volume físico exportado em outubro totalizou 142,8 mil t, frente a 206,4 mil t do mês anterior e 228,1 mil t em outubro de 2015.

A Tabela 2 mostra o desempenho dos seis principais estados exportadores. Os 15 principais países de destino das exportações, que respondem por 94,4% do total do faturamento, são mostrados na Figura 2. Os principais portos brasileiros de escoamento das exportações são apresentados na Figura 3. Registra-se que o Japão ultrapassou a Bélgica, como destino das exportações, e que o porto de Santos continua embarcando um volume físico de produtos superior ao do porto de Vitória.
Importações 
Refletindo a crise do mercado interno da construção civil, que já se prolonga desde 2014, as importações brasileiras de materiais rochosos naturais recuaram 31,15% em valor e 26,54% em peso frente ao período janeiro-outubro /2015, somando US$ 25,7 milhões e 47.452,14 t em 2016. 
No mesmo sentido, as importações de materiais rochosos artificiais (NCMs 6810.19.00 e 6810.99.00) recuaram 32,19% em valor e 18,71% em peso, somando US$ 25,5 milhões e 37.013,38 t no período janeiro-outubro de 2016. 

Comentários 
O setor de rochas ornamentais vive um momento particularmente delicado de sua curta trajetória industrial no Brasil. O mercado interno está sofrendo os efeitos de uma das mais graves crises econômicas e institucionais já enfrentadas pelo país, ainda sem perspectivas concretas de superação. O front externo atravessa as incertezas das mudanças da política comercial dos EUA, que representam 65% do faturamento das exportações brasileiras de rochas e 85% das nossas exportações de chapas. 
A forte queda das exportações de outubro, inclusive sinalizada por empresários durante a feira de Verona (30/09 a 02/10/2016), e apontada no Informe 07/2016 da ABIROCHAS, talvez já reflita a cautela assumida por consumidores e investidores norte-americanos, frente ao seu mercado da construção civil, mesmo antes do resultado da eleição presidencial do país. 
As mensagens protecionistas do presidente eleito estão sobretudo direcionadas para a China, não tendo, pelo menos até agora, a América Latina em sua “alça de mira” – o México pode ser fortemente afetado, mas não por protecionismo comercial do país vizinho. 
Como fornecedor de chapas para os EUA, onde tais chapas constituem matéria-prima para o enorme mercado residencial unifamiliar, sustentando milhares de empregos na atividade de marmoraria e instalação, teoricamente o Brasil não deverá ser prejudicado. É preciso trabalhar este conceito junto às autoridades comerciais dos EUA, a exemplo do que já vinha sendo efetuado na questão dos benefícios fiscais atrelados ao SGP – Sistema Geral de Preferências do país. 
A defesa da atividade e do emprego industrial, pelo governo Trump, poderá, no entanto, restringir as perspectivas brasileiras de exportação de produtos acabados. A venda de chapas só será afetada caso a nova política econômica, como sugerem alguns analistas, conduza os EUA a algum tipo de recessão. 
É difícil avaliar a capacidade de resistência sistêmica do setor de rochas à crise dos mercados interno e externo, mas tal capacidade pode já estar próxima de seus limites. 
Números das Exportações de Rochas no Período Janeiro-Outubro de 2016 

Números das Exportações de Rochas no Período Janeiro-Outubro de 2016 

US$ 952,2 milhões de faturamento (-8,87% frente mesmo período de 2015). 

2.093,2 mil toneladas em volume físico (+6,31% frente mesmo período de 2015). 

79,5% de participação de rochas processadas no faturamento (contra 82,2% em 2015). 

54,5% de participação de rochas processadas no volume físico (contra 58,9% em 2015). 

11,8% de queda no faturamento com rochas processadas. 

1,6% de queda no volume físico de rochas processadas. 

US$ 926,6 milhões de saldo na balança comercial. 


US$ 454,9/tonelada de preço médio das exportações brasileiras de rochas ornamentais, contra US$ 281,9/tonelada das exportações gerais brasileiras. 

A seguir são apresentados gráficos que ilustram a evolução das exportações e importações brasileiras de rochas no período janeiro-setembro de 2015/2016.


1 Este texto foi elaborado pelo geólogo Cid Chiodi Filho – Kistemann & Chiodi Assessoria e Projetos, para a ABIROCHAS – Associação Brasileira das Indústrias de Rochas Ornamentais, em 25 de outubro de 2016, Belo Horizonte – MG. Os dados primários sobre exportações e importações foram obtidos a partir de consulta à Base ALICE do MDIC (www.aliceweb.desenvolvimento.gov.br). Foto: galeria de pesquisa em lavra de mármore, na região de Carrara, Itália. 


2º BALANÇO DAS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE ROCHAS NO PERÍODO JANEIRO-OUTUBRO DE 2016

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Fonte: 2º BALANÇO DAS EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE ROCHAS NO PERÍODO JANEIRO-OUTUBRO DE 2016

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