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Publicado em 09/04/2020

O Coronavírus têm causado um efeito devastador no mundo todo. Como consequência de políticas e ações necessárias para diminuir a disseminação da doença, os mercados globais têm sofrido sérios abalos e as atividades econômicas foram paralisadas, com impactos nas cadeias globais de suprimentos e no comércio global, o que tem elevado os temores de uma recessão mundial.

Por: Revista Rochas

O primeiro ponto a ser entendido é o fato de que a economia mundial será afetada a curto e médio prazo pela crise atual. As economias dos países desenvolvidos, devido a sua capacidade financeira, sofrerão menos que as economias dos países em desenvolvimento. Especificamente para o Brasil, que possui uma economia mais fragilizada, mas que estava num processo de ascensão econômica com boas projeções de crescimento, o advento desta pandemia gera um cenário de muitas incertezas futuras.

Neste momento, as grandes empresas do setor de rochas ornamentais estão concentrando seus esforços para manterem-se estruturadas, procurando evitar demissões, sabendo que o pagamento de salários para os seus colaboradores irá garantir a eles a compra de alimentos e medicamentos. As empresas de médio e pequeno porte terão mais dificuldades, uma vez que são bem menos estruturadas e dependem de um fluxo de caixa quase que diário para dar andamento as suas operações. Em geral, todas contam com o adiamento e parcelamento do pagamento de impostos e renegociação de dívidas junto aos fornecedores.

Visto que as empresas estão concentradas em manter o seu quadro de funcionários, inclusive adotando redução de horas de trabalho e pagamento proporcional, torna-se cristalino que não haverá investimentos a médio prazo para a compra de materiais e novos equipamentos. As empresas precisarão viabilizar os seus fluxos de caixa e manter a maior liquidez possível durante esse período durante e após a crise. 

As exportações brasileiras para o mercado americano, assim como de outros países, tais como a Índia, a Turquia e a China, estão praticamente paralisadas. Os grandes distribuidores dos estados de Nova Iorque, Nova Jérsei e Connecticut estão fechados. Os distribuidores do estado da Flórida, Califórnia, Washington e Oregon estão operando parcialmente. Os embarques para os EUA foram todos suspensos e, em alguns casos, ordens de compra foram canceladas, sem contar que as empresas americanas estão solicitando uma extensão nos prazos de pagamento.

No tocante a venda de blocos, os maiores produtores mundiais também estão encontrando problemas, uma vez que a Europa está completamente paralisada. A China pós Coronavírus começa de maneira tímida a comprar blocos, prevendo uma retomada da sua economia para o segundo semestre deste ano e para o ano vindouro. Pode-se observar que, mundialmente, algumas jazidas estão com as operações suspensas e outras operando de maneira parcial.

Estando as fronteiras fechadas, um outro ponto a ser analisado é o fato de que a importação de insumos está praticamente suspensa. Algumas empresas possuem estoque de fios diamantados, resinas e outros, para um a dois meses. Caso a situação persista, as empresas fornecedoras de insumos de cada País deverão desenvolver produtos para atender o mercado interno de rochas ornamentais, buscando novas tecnologias e ampliando seu parque fabril e, com isso, diminuindo a dependência da importação de países europeus.

Como consequência do distanciamento social, as pessoas passaram a dedicar menos tempo aos afazeres externos e a desfrutar mais da sua casa e a da convivência familiar. Este fato pode levar a um desejo de melhorias qualitativas nas residências, ou seja: a reformas e à utilização de materiais únicos, eternos e de rara beleza, características que somente as rochas ornamentais podem oferecer.

Vale um alerta para as empresas do setor: o tema da utilização de produtos bactericidas para a segurança da saúde dos estará muito presente no futuro. As empresas devem se preparar para tratar as superfícies dos materiais rochosos e apresentar selo e garantia da aplicação de produtos que deem segurança e tranquilidade ao consumidor final.

As viagens comerciais, a interação pessoal para o desenvolvimento de projetos em rochas ornamentais e a inspeção em jazidas e fábricas, muito comum no setor de rochas, não serão possíveis a curto e médio prazo. As feiras com direcionamento B2B, que sempre foram fundamentais na promoção das rochas, serão menos frequentes. Desta maneira, as empresas devem incrementar e melhorar o trabalho de marketing em mídias digitais direcionadas e de alta credibilidade e implementar as suas presenças nas redes sociais. Cada dia mais, em função de estarmos em casa, as pessoas estão ficando mais habituadas com ferramentas digitais. Vídeo conferências e canais de comunicação como o Google Hangouts, o Microsoft Teams e o Zoom estão se tornando dia a dia mais comuns, sem contar o WhatsApp que já faz parte da rotina das empresas e pessoas em todo o mundo.

Na esteira da descoberta deste mundo digital as empresas também devem se preparar ainda mais para as inspeções digitais. Imagens e vídeos em alta definição de blocos, de chapas e de processos de dry layout devem ser preparados e disponibilizados aos seus parceiros e clientes. Claro que, juntamente com todo esse aparato digital, as empresas devem fortalecer as relações de confiança mútua com os seus parceiros e clientes, uma vez que o sucesso da especificação e venda de rochas ornamentais se baseia não somente em ferramentas de apoio, mas principalmente na qualidade de seus produtos, no atendimento aos prazos de entrega e na prática de preços justos e competitivos.

O impacto econômico e social da pandemia do novo Coronavírus na economia mundial ainda é desconhecido. Quanto ao tempo de duração da crise, não é possível fazer qualquer tipo de prognóstico, uma vez que não há uma definição quanto à retomada das atividades econômicas. Em vista disto, os empresários do setor de rochas precisam entender que reduções de custos devem ser imediatas, que desperdícios devem ser evitados a todo custo, que a adoção de um fluxo de caixa sustentado e organizado é fundamental e que a implementação de ações de marketing digital serão vitais para a sobrevivência das empresas no mundo pós crise.

Às vezes nos abalamos diante de situações graves. Entretanto, tais tempestades nos possibilitam um constante recomeço, que nos faz perceber que somos mais fortes do que elas. Precisamos acreditar em Deus, permanecer inabaláveis e trabalhar arduamente para vencer esse momento de grande dificuldade. Lembremo-nos de uma frase muito conhecida: “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.

Paulo Giafarov

PAULO FLÓRIO GIAFAROV, engenheiro formado pela Faculdade de Engenharia Industrial – SBC. Desenvolve serviços de consultoria e projetos em revestimentos de rochas ornamentais desde 1978. Membro do MIA – Marble Institute of America, da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas e vice-presidente da WONASA – World Natural Stone Association. Ministra palestras em seminários e work shops no Brasil, Itália, EUA e China. Artigos publicados nas Revista Rochas de Qualidade (Brasil), Projeto (Brasil), Litos Magazine (Espanha) e Rochas e Equipamentos (Portugal). Participou e participa de diversos projetos no Brasil e no Exterior com certificação LEED. Fundou a DGG STONES no ano de 1985.


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Fonte: Rochas ornamentais – Situação atual do mercado e desdobramentos pós crise

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